A ascensão e queda do L-shaped morphome: estudos diacrônicos e experimentais

Quem: 

Andrew Nevins

Onde: 

Praia de Botafogo, 190, sala 317

Quando: 

29 de Setembro de 2016 às 16h

Foi sugerido que a primeira pessoa do singular nas línguas românicas constitui uma classe natural com o presente do subjuntivo para os fins de alomorfia do radical (Maiden 2005), formando uma espécie de 'sincretismo diagonal'. A existência desses padrões não-naturais é, portanto, similar a morfomos autônomos, no sentido de Aronoff (1994). Nossos experimentos, dos quais participaram centenas de falantes nativos de português, italiano e espanhol, revelam que esses padrões são sub-aprendidos. Os falantes não generalizam o padrão com logatomas, e preferem o 2a pessoa do singular como a base de flexão. Os resultados apontam uma preferência pela naturalidade na estrutura morfológica. Além disso, estudamos a sub-aprendizagem do L-morfomo na mudança histórica. Através de corpora histórico de cinco séculos, demonstramos uma mudança na taxa de verbos na primeira conjugação em relação às outras, e portanto um declínio na frequência para verbos morfômicos. Como aprendizes precisavam de evidência forte para padrões não-naturais, o suporte lexical diminuiu com tempo e a produtividade deles entrou em declínio, devido, em parte, à explosão lexical introduzida pela revolução industrial.

*Texto informado pelo autor. 

Palestrante: 

Andrew Nevins possui graduação em ciências cognitivas e ciência da computação pelo Massachusetts Institute of Technology (2000), e doutorado em linguística pelo Massachusetts Institute of Technology (2004). Atualmente é professor titular na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência e produção em linguística, com ênfase em fonologia, morfologia, linguística experimental, e línguas indígenas. É autor de "Locality in Vowel Harmony" (MIT Press, 2010), co-autor de Morphotactics: Basque Auxiliaries and the Structure of Spellout" (Springer, 2012), co-organizador de "Rules, Constraints, and Phonological Phenomena" (Oxford University Press, 2008) co-organizador de "Inflectional Identity" (Oxford University Press 2008). Desde 2013 é co-editor da seção Squibs and Discussion do periódico "Linguistic Inquiry" (MIT Press).