Pós-graduação da FGV EMAp impulsiona jovens talentos para a pesquisa global: conheça a história de Lucas Moschen
Gaúcho cursou a graduação e o mestrado na Escola e hoje é doutorando em Londres. Tem interesse em pós-graduação na FGV EMAp? Mestrado e doutorado estão com inscrições abertas até 30/09

Lucas Moschen fez graduação e parte de sua pós-graduação na FGV EMAp | Foto: Arquivo Pessoal
Na Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp), alunos e alunas não apenas aprendem matemática, eles vivem a matemática em sua dimensão mais ampla: da pesquisa teórica às aplicações práticas que atravessam a ciência, a tecnologia e a sociedade. É nesse ambiente que Lucas M. Moschen, hoje com 25 anos, deu forma ao seu talento, amadureceu sua vocação e construiu os fundamentos de uma carreira internacional.
Atualmente doutorando em Matemática no Imperial College London, no Reino Unido, Lucas desenvolve pesquisas na interseção entre Otimização, Teoria de Controle e Equações Diferenciais Parciais (EDPs). Ele é bolsista do Roth PhD Scholarship - bolsa de estudos altamente competitiva oferecida pela instituição que permite a jovens pesquisadores concentrarem-se integralmente em seus projetos acadêmico - e vinculado a um programa conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), além de já ter passado por outras instituições de excelência como a Sorbonne, em Paris. Mas essa história começa bem antes, no sul do Brasil, com a curiosidade de um garoto atento aos números.
Infância e raízes: "Matemática era algo natural para mim"
Lucas nasceu em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, onde passou toda a infância e adolescência. “Eu sou filho único e tive sorte de estudar a vida toda na mesma escola estadual, que era boa e ficava no centro da cidade, perto do trabalho da minha mãe”, relembra.
A mãe era professora em uma escola infantil; o pai trabalhava como projetista de produtos — um designer industrial. “Os dois fizeram faculdade depois que eu nasci, quando eu ainda era pequeno. Sempre fui muito incentivado a estudar”, complementa o gaúcho.
Desde cedo, Lucas demonstrava facilidade com os números. “Dizem que eu gostava de fazer a soma do quanto estava sendo gasto no mercado. Era mais uma questão de curiosidade prática. Matemática vinha com mais naturalidade, mas eu me organizava bem e ia bem em todas as matérias”, conta.
Apesar da aptidão, ele lembra que o ambiente escolar não oferecia muito estímulo específico para olimpíadas científicas. “Não era comum fazer olimpíadas na minha escola. Nem todos os professores se interessavam muito por esses eventos. Mesmo assim, fiz algumas — de história, de astronomia. E em 2013, ganhei medalha de bronze na OBMEP”, recorda Lucas.
Foi essa medalha que deu a Lucas o passaporte para uma virada em sua relação com a matemática. Ele, então, participou do Programa de Iniciação Científica Jr (PIC), com foco em Álgebra, Teoria dos Números e Geometria.
A quase música e o convite da FGV: "Foi questão de detalhe"
Durante o ensino médio, Lucas ainda tinha dúvidas sobre o futuro, tanto que, por pouco, não ficou no estado para cursar a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Eu quase fiz Música. Era uma possibilidade real. A ideia era fazer ou Matemática Licenciatura ou Música na UFRGS. Cheguei a passar na prova aos 16 anos, mas para Música tem um teste prático e eu fiquei extremamente doente no dia.”
Foi aí que apareceu o convite da FGV. No último ano do ensino médio, ele foi convidado pelo Centro para o Desenvolvimento da Matemática e Ciências (FGV CDMC), que busca talentos em olimpíadas de todo o Brasil, para prestar o Vestibular da FGV. “Eles ofereciam um curso específico para nos preparar para o vestibular da FGV, e isso foi muito útil, principalmente em redação”, conta. O resultado veio antes mesmo do ENEM. “Eu poderia ter ido para a USP ou UFRGS, mas optei pela FGV. Não teria esse tipo de suporte em nenhum outro lugar.”

O gaúcho foi descoberto pela FGV CDMC e não pensou duas vezes em trocar a concorrência pela FGV EMAp | Foto: Arquivo Pessoal
FGV EMAp: a ponte entre a teoria e o mundo
Lucas ingressou na graduação em Matemática Aplicada da Escola em 2018, como parte da segunda turma da FGV CDMC. “A FGV EMAp foi a ponte entre o abstrato que eu comecei a ver no PIC e o mundo das aplicações. Mudou completamente minha percepção sobre o que é matemática. Eu comecei a ver como a matemática podia ser usada para entender e resolver problemas reais”, confessa.
A convivência próxima com os professores e o ambiente interdisciplinar da Escola também foram decisivos. “Para quem entra na Escola, é aproveitar-se da estrutura da FGV e do fato de o departamento não ser muito grande. Isso facilita a troca com vários professores, o que é raro em outras instituições. E é fundamental aproveitar essa chance para desenvolver habilidades matemáticas com profundidade. Não é sempre fácil, mas é isso que constrói coisas sólidas no futuro”, aconselha o gaúcho.
Após concluir a graduação, Lucas seguiu para o mestrado na própria FGV EMAp, etapa que ele descreve como decisiva para sua consolidação acadêmica.
“Eu gostei bastante do mestrado na FGV EMAp, ainda mais porque tive uma ótima orientadora — isso é muito importante em qualquer universidade — a Maria Soledad Aronna”, afirma ele, citando a professora da FGV EMAp com experiência em Controle Ótimo e em Biologia Matemática.
Lucas destaca o ambiente da FGV EMAp como sendo altamente colaborativo e voltado à Matemática Aplicada com base teórica sólida. “Sempre com um viés voltado a aplicações reais. Eu gosto desse viés de modelagem da Escola, porque te permite integrar matemática abstrata à programação e à análise de dados”, diz.
A estrutura enxuta da instituição carioca faz com que o contato com professores seja mais próximo, o que abre espaço para trocas mais significativas. “Você acaba tendo mais oportunidades de conversar, tirar dúvidas e até colaborar em projetos. Isso faz bastante diferença quando comparo com minha atual instituição”, observa Lucas.
Mesmo reconhecendo que a carga horária pode ser desafiadora — “fazer a graduação na FGV ajuda muito a lidar com isso” —, ele destaca que essa exigência foi importante para sua maturidade acadêmica. Tal espaço para autonomia ficou evidente no desenvolvimento da dissertação de mestrado de Lucas, cujo tema foi estratégia ótima de vacinação em regiões metropolitanas, um trabalho em que Biologia, Matemática e interesse social se cruzaram.
“Eu trabalhei na Iniciação Científica com a Soledad porque gostava de relacionar Biologia com Matemática. Ela me apresentou a epidemiologia e eu acabei gostando bastante — a COVID ajudou a entender como isso de fato tinha impacto”, explica Lucas.
Com uma proposta de formação sólida em Matemática Aplicada com forte embasamento teórico, o programa permitiu a Lucas explorar de forma profunda áreas como a Teoria do Controle, sua grande paixão acadêmica na época. “Me identifiquei bastante com Controle Ótimo. Hoje me afastei um pouco das aplicações em Biologia, mas ainda é algo que eu gosto muito”, revela ele.
Além das aulas e da pesquisa, Lucas também participou, durante o mestrado, da organização de eventos científicos relevantes, como o Congresso Latino-Americano de Matemática Industrial e Aplicada (LACIAM) — evento com foco em controle e modelagem aplicado à América Latina. “Eu mesmo acabei ajudando a organizar o LACIAM, que foi lançado na FGV e tem grande potencial para o futuro!”, lembra, ao comentar o dinamismo acadêmico promovido pelos docentes da EMAp.
A base formada durante o mestrado não ficou no Brasil e seguiu com ele para a Europa. “Em primeiro lugar, aprendi a fazer pesquisa. Aqui [no Reino Unido] tem muita gente muito boa, mas uma vantagem que percebi foi a habilidade de me organizar com pesquisa científica mesmo. Claro que tenho muito a aprender, mas tive uma boa introdução a isso. E, é claro, a parte matemática”, relata Lucas, ao refletir sobre os impactos concretos da formação na Escola em seu doutorado no exterior.
Essa etapa da pós-graduação não foi apenas um aprofundamento acadêmico, mas uma verdadeira plataforma de lançamento. “Acho que a FGV EMAp é uma excelente escolha para quem busca uma formação sólida e moderna em matemática aplicada. Os professores têm uma visão conectada com aplicações reais, e isso te dá liberdade para explorar áreas diferentes com profundidade”, analisa o gaúcho.
Da FGV para o mundo: pesquisa no Imperial College
Após completar a pós na FGV EMAp, Lucas seguiu para um segundo mestrado em Paris, no renomado Laboratoire Jacques-Louis Lions, da Sorbonne, um dos centros mais importantes do mundo em equações diferenciais.
Atualmente, o gaúcho desenvolve seu doutorado no Imperial College London, uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Sua pesquisa está na fronteira entre otimização, teoria de controle e EDPs, com foco especial em problemas de controle para equações como McKean-Vlasov e Fokker-Planck.

Formado na FGV EMAp, Lucas Moschen hoje é doutorando no Imperial College London, onde desenvolve pesquisas na interseção entre Otimização, Teoria de Controle e Equações Diferenciais Parciais (EDPs) | Foto: Arquivo Pessoal
Tais equações aparecem em modelos de difusão e apresentam aplicação em muitas áreas, como física, biologia e ciências sociais: “Minha pesquisa busca formas de controlá-las e otimizá-las, com uma visão matemática, mas também prática”, finaliza.
Inscrições abertas para a pós-graduação
As inscrições para os cursos de pós-graduação da FGV EMAp estão abertas até 30 de setembro. A Escola oferece programas de Mestrado e Doutorado em Matemática Aplicada e Ciência de Dados, voltados para quem deseja se aprofundar na pesquisa, na modelagem matemática e em aplicações inovadoras nas mais diversas áreas.